terça-feira, 16 de julho de 2013

Temas, transas e caretas - Definindo temas clichês e fugindo deles

Tópicos em escrita criativa
por Cristiane Salles - cristianesallesesilva@gmail.com

Ser mãe, mulher, dona-de-casa, profissional liberal, escritora e blogueira... Parece difícil? É porque é difícil. Imagine juntar tudo isso ao sonho de encontrar um príncipe encantado, ter um filho nerd e uma mãe do tipo moderninha-maluca, um ex-marido que não para de atormentá-la e por aí vai... Eu praticamente juntei todos os maiores clichês dos livros contemporâneos num único parágrafo. Clichês devem ser evitados? Ou bem utilizados? Acho que ambas as coisas. Afinal, escrever é criar algo novo a partir de uma coisa que, aparentemente, não tinha nada de novo a oferecer.

Acredito, na superficialidade de meu saber, que clichês devam ser evitados se forem, pura e unicamente, constituídos por elementos que remetam ao próprio clichê. A partir do momento em que eu, enquanto escritora, consigo inserir novos elementos no meu texto, conduzindo o leitor de forma a não entediá-lo, ao mesmo tempo em que me mantenho fiel ao que propus, acredito que seja possível usar - e usar bem - um bom clichê. Vejam bem, é praticamente impossível escrever algo completamente original e esperar que as pessoas engulam com facilidade. Falar da Segunda Guerra Mundial se tornou um clichê, mas em A menina que roubava livros Marcos Suzak faz isso de forma completamente inovadora e envolvente. Comédias românticas são clássicos dos clichês, não é verdade? Então por que vendem tanto? Por que é o que as pessoas querem ler, querem saber o final do livro a partir do gênero que escolheram. Sem falar dos novos livros infanto-juvenis a partir de Harry Potter, que agora obrigatoriamente devem ser protagonizados por trios de jovens de no máximo quinze anos com problemas familiares, distúrbios que os afastam dos outros garotos e garotas da mesma idade, mas que no final descobrem serem os escolhidos para salvar o mundo do mal eminente. A indústria literária mercantil exige clichês bem usados, que são os que as pessoas querem ler - ou infelizmente se acostumaram a ler.
Graças a Deus que eu não sirvo a essa indústria inescrupulosa, você poderia me dizer. Concordo e dou todo o apoio a você, mas deixe-me explicar melhor: o oposto também vende (os livros que ganham concursos literários no nosso país geralmente são muito diferentes do que descrevi lá em cima, e os que vendem mais raramente ganham esses concursos), e tudo depende do que você deseja para si mesmo. Eu desejo vender muito, ganhar muito dinheiro e ter novas inspirações numa praia do Caribe, com um coquetel numa das mãos e um belo par de óculos de sol de mil dólares sobre meus olhos (outro clichê). Mas esse assunto fica para um próximo post - SOBRE O QUE ESCREVER?
Quando nosso leitor pega uma comédia romântica para ler ele deseja que o casal fique junto no final (se um dos dois morrer vai se tornar drama); quando um adolescente lê um livro de aventura ele deseja que o protagonista tenha amigos tão problemáticos como ele; quando alguém lê o Cinquenta tons de cinza, de E. L. James, bem, eu não sei o que essa pessoa quer, só sei que tem vários livros por aí copiando ele, assim como aconteceu logo após o megassucesso de Stepnenie Meyer, a tão detestada quanto amada série Crepúsculo - depois dele parece que todo livro para garotas adolescentes precisa de um triângulo amoroso sobrenatural (e toda mocinha tem de ser meio retardada). É o mal dos nossos jovens leitores contemporâneos.
Realmente alguns clichês devem ser evitados. Tenho de dar o braço a torcer.

Até a próxima,


Cristiane Salles em especial de férias para o Observatório Clube de Autores

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