domingo, 27 de janeiro de 2013

Separados pelo coma


Lindo, rico, solteiro, gay... nem um defeitinho? Uma unha encravada? Chulé? Mau hálito? Com tantos atributos, é quase impossível não se apaixonar por George


Público-alvo: Adolescente/Adulto




Estrelas ganhas: 4,5 estrelas/5 (quatro estrelas e meia de cinco estrelas)




Categorias: Originalidade/Linguagem/Enredo/Argumento

 

Tipo de livro analisado: E-book



 

Especificidade: Gay



Separei uma barra de chocolate, dei play na minha lista de músicas preferidas do Windows Media Player (o que inclui Shakira, Glória Gaynor, Elvis, Regina Spektor, Roxette, Beatles entre outros) e comecei a ler o e-book Um amor singular 2, de E.N. Andrade. É um livro relativamente pequeno (80 páginas), sequencia de outro título, o qual ainda não li. Terminei em uma tarde. 
É, E. N. Andrade é bom.
O autor consegue manter um ritmo irresistível em seu livro, sem perdas de velocidade ou passagens tediosas. É um texto claro, conciso e bem estruturado, que prende o leitor e o envolve em passagens interessantes. Para quem torce o nariz por ser um livro gay, prepare-se: não há bizarrices nem cenas de sexo com detalhes picantes. É tudo descrito, dentro do possível, de uma forma até comportada. Ponto para Andrade, que escapa do clichê gay de sexo sem limites. A linguagem utilizada pelo autor, inclusive, é madura e bem elaborada. Há ótimas analogias, como a sensação do personagem Thomas, de estar enrolado em “filme plástico”, e precisar de uma “tesoura” que o libertasse. As descrições dos ambientes são maravilhosas, e não pecam. Enfim, a história no geral, convence com personagens interessantes e um desenrolar suave e provocante, como chocolate-com-pimenta. 

Nem tudo são flores

Não é porque trata do mundo purpurinado que tudo no livro é glamuroso não! Existem alguns pontos que precisam de um olhar mais atento do autor, e do leitor reflexivo. Tudo é perfeito demais, num clichê de mundo gay dividido entre os que amam e os que odeiam, com ambos vivendo em partes diferentes sem conflitos verdadeiramente significativos: Thomas faz amigos no primeiro dia na escola sem nenhuma dificuldade, não tem receio de contar que é gay mesmo estando sozinho e com a possibilidade de rejeição; logo depois já troca de quarto pro causa do colega homofóbico, sem conflitos, sem demais desdobramentos. Aliás, numa passagem chega a comentar que não precisa mais dos amigos porque conseguiu um namorado. Então, diante de um namorado, os amigos são perfeitamente descartáveis, feito lenços usados? Aliás, em questão de namorado, Thomas é expert: só ficou com homens lindos-perfeitos-maravilhosos-quase-deuses. Todos apaixonados por ele. Logicamente, irreais. O engraçado é que vivemos na década dos bananas e dos fetiches. A imagem de homens perfeitos demais não convence mais, é ilusória e deprimente – não que eu precise disso para me deprimir, já estou com meu chocolate, Sinead O’Connor e os olhos cheios de lágrima por estar sozinho numa noite de domingo. Mas isso não importa. Continuando com o livro, o amor de Thomas por Max precisa ser analisado sob dois ângulos diferentes (dois parecem mais do que suficientes para mim): um sob o olhar do amor que protege e guarda, que se guarda para o outro – mais adequado ao mundo literário. Outro sob o ângulo próprio do amor gay: dizer que ama e sair por aí transando com todo mundo antes de tentar voltar para o ex. O segundo caso parece mais com o de Thomas. Ter esperança de recuperar o namorado e ao mesmo tempo estar com outro parece contraditório. Um amor tão grande deveria ter mais espaço de reservas e menos arrependimentos que não o levam a mudar a realidade que vive. Diz estar praticamente em coma junto com o namorado e depois transa com o ex (e também amigo) no dia de partir para Madri. Isso me parece contraditório. Ora o sexo brinda o amor, hora não é nada que mereça importância. Aliás, ele não parece estar realmente sofrendo, não como Bella em Lua nova, pelo menos. Nunca vi sofrimento (e loucura) maiores que a dela, e ele não demonstra isso de forma convincente em nenhum momento. Partindo para detalhes técnicos, o termo “opção sexual” deveria ser substituído por “orientação sexual”, que é hoje o mais adequado. A passagem em branco do tempo (Agosto/Setembro/Outubro/Novembro/Dezembro) é o mesmo recurso usado por Stephenie Meyer em Lua Nova, e o efeito é anti-literário. Não é interessante porque parece que nada aconteceu nesse meio tempo – não que ele tivesse de narrar cada mês, mas é preciso pensar em soluções – mesmo porque Thomas e George estão semi-nus durante 90 % do tempo, então não haveria muito o que dizer. Os conflitos são o ponto mais sério da trama. Tenho de dizer que achei Thomas tão carismático quando uma porta, então 50 % da torcida pela felicidade dele foi pelo ralo. A chegada dos casal à mansão dos pais de George é particularmente problemática: pra quem havia brigado e dito coisas ruins, a recepção de George pelo irmão Grayson até que foi muito boa, e ainda chamar o outro de cunhado... Depois a refeição preparada pelo irmão de George (eles não tem empregadas)? Depois o pseudoconflito com os pais de George: Thomas sai, chega e não cruza outra vez com os pais de George? Nenhuma pergunta? George não é interrogado pelos pais? Expulso de lá?
Por fim a redenção entre Thomas e George, no aeroporto, antes de ele retornar para OREC, não convence. O final do livro também não – mesmo porque ele ainda não acabou. E tudo rápido demais. Tantas outras coisas separam o casal, então por que o retorno de Max significaria um perigo maior? Aliás, se Thomas não ama George (o que ficou bem claro em muitas passagens) por que torcer para os dois? É melhor acreditar que ele voltará para Max, já que o ama, e ficará tudo muito bem. 
Afinal, não é todo mundo que tem a sorte de encontrar um homem lindo, rico e disponível caído a seus pés sem ter de pagar algum preço por ele.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Regras de uso do Observatório Clube de Autores



















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Os livros são criticados na ordem em que chegam ao Observatório.

 




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

O que nos move a continuar escrevendo?



Essa é a pergunta que me faço, hoje, 21 de janeiro de 2013. Dentro de duas semanas terei de voltar ao meu emprego - fim de férias, começo de um longo ano de trabalho duro e, graças a Deus, honesto. Mas, sinceramente, meu desejo era continuar a escrever (como fiz desde dezembro do ano passado), quando quero e durante o tempo em que minha inspiração permitir. Terminei meu terceiro livro (Enigmas do Amor) e, como já era de se esperar, comecei outro... Por que escrevo? Será que seus livros vendem como água no deserto, senhor Hoffman?, alguém poderia perguntar, despretensiosamente. Claro que não, responderia, nem um naco do quanto gostaria que vendessem. E nem venderão a curto, a médio ou longo prazo, sei lá se um dia venderei meia dúzia deles sob demanda. Isso não me preocupa muito, pelo menos não no momento mais importante da produção do livro (enquanto o escrevo). E se me preocupo depois é porque gostaria de saber que alguém além da minha mãe tem lido o que o filho dela escreve... Isso me preocupa. Mas também me instiga a perguntar novamente: o que nos move, enquanto escritores? Acho que tenho a resposta cada vez que ouço Sarah McLachlan cantar Angel: There's always some reason/To feel not good enough... Queremos provar para nós mesmos e para os outros (principalmente para os outros, já que devemos ter certeza do nosso potencial enquanto escrevemos) que conseguimos, enfim, produzir uma boa história, pera lá, cara, eu escrevi um livro! Melhor do que isso, vendi um livro! E o comprador gostou, e comentou com conhecidos, e no fim das contas, sou um autor reconhecido! Esquecendo um pouco de sonhos clichês, acredito, do fundo do coração, que somente uma coisa pode justificar escrever quando não se tem certeza de que haverá leitores: paixão. Essa é a palavra. Estar apaixonado faz com que as coisas funcionem perfeitamente, e aí vence-se os limites impostos pela razão e, enfim, alcança-se o zênite, a abóboda celestial onde nossos astros orbitam intocáveis.  A paixão pela história deve começcar com o próprio autor, e daí para convencer o leitor, pelgá-lo no gancho, é um pulo. Deve-se estar apaixonado pelo próprio livro, pois é contagiante. Por isso escrever é algo tão delicioso, por propor que o outro se torne, pelo menos enquanto estiver lendo nosso livro, propriedade nossa. Sinto isso quando leio um livro muito bom, com personagens com os quais me identifico, e uma história bem contada. É esse o gancho que prende o leitor. Mas a pergunta persisite: por que escrever se não há leitores? Há de haver, é a resposta. Em julho do ano passado criei um blog para criticar livros. Escrevi os primeiros textos, estava todo animado achando que bombaria na net. Ledo engano, há milhões de outros blogs melhores do que o meu, com muitos seguidores e mensagens. O que houve a partir de então? Os textos ficaram lá, e esse ano recebi um comentário - de alguém que leu minha crítica e concordou comigo! Um comentário quando achava que não haveria nenhum! Haverá alguém, com certeza. Foi o que aprendi. Para que escrever, se não há leitores? A pergunta poderia tomar outras formas: pra que ser amável, se não tenho a quem dar meu amor? A resposta é simples: escreva, ame, um dia há de haver alguém - tanto para os livros quanto para nosso coração. E ambos tem o poder de nos mover quase sempre na direção correta.
L. S. Hoffman,
Especial de férias,
Direto do Rio de Janeiro para o Observatório Clube de Autores.

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