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terça-feira, 19 de maio de 2015

As variáveis da escrita

Cuidados que devemos tomar ao escrever


Coletiva Observatório Clube de Autores


1ª Parte: Escrever um romance é narrar, não simplesmente informar
Quando escrevemos devemos ter o cuidado de dizer o que precisamos dizer, sem, contudo, ofender a inteligência do leitor. Bons autores encontram a forma correta de inserir informações sobre os mais diversos assuntos sem chatear o leitor. Por exemplo, vamos supor que eu queira introduzir conceitos médicos no meu texto – por mais que seja interessante para saber sobre o tipo de fratura que fulano teve, os medicamentos e procedimentos usados para seu tratamento, o tempo que ele ficou internado, o nome do médico, do hospital etc etc etc Bem, no final não é tão interessante assim, não é mesmo? Por isso, precisamos encontrar formas agradáveis de contatar o que tem de ser contado.



2ª Parte: Respeite meus cabelos brancos pintados! Eu sei ler entrelinhas
Quando Renly, de Game of Thrones, apareceu na série televisiva claramente como homossexual, alguns fãs menos atentos reclamaram que ele não era gay no livro. George R. R Martin, contudo, disse que Renly é gay no livro, sim, e que ele achou que tinha sido claro o suficiente em sua narrativa. Acontece que Martin foi tão singelo e tão delicado em seu livro, que algumas pessoas não entenderam o que ele queria dizer. Isso é escrever bem, é dizer algo sem dizer, sem ser explícito. Trouxe esse exemplo à tona porque me lembrei de uma texto de uma jovem autora onde ela escreveu: “Eu moro com meu amigo Lucas, uma pessoa superlegal... Ah, eu já estava me esquecendo, Lucas é gay.” Aqui temos um exemplo de mau uso do discurso, onde, em vez de ela pensar em um jeito melhor de contar que Lucas é gay, ela o faz de forma simplória e medíocre. Isso não é literatura. Isso é simplesmente informar, e cabe bem em um manual de televisão, não em um romance. Acho que devem existir pelo menos cem maneiras melhores de dizer que Lucas é gay de forma criativa e indireta:
“Lucas suspirou e olhou para mim com a costumeira ternura. É claro que ele preferiria dividir o apartamento com o Brad Pitty, mas eu era tudo o que ele tinha naquele momento.”
“Lucas e eu dividiríamos até a cama, mas isso não significava que ele poderia ficar com meu namorado. Isso passaria de amizade”.
“Lucas era uma mulher no corpo errado – acho que é mais ou menos isso que acontece, um passo em falso na fila da encarnação e você chega aqui com mais coisas do que deveria ter entre as penas.”
São apenas alguns exemplos. Há outros.



3ª Parte: Evite palavras complexas/opte pela simplicidade

No livro “Sobre a escrita” Stephen King dá vários exemplos de boas frases e más frases. As boas frases geralmente se valem de construções simples e palavras menos complexas. A simplicidade, mais uma vez, é o caminho mais seguro para um texto sólido e cativante. 


Sempre à disposição,

Observatório Clube de Autores

Escola de escritores - aprendendo a escrever parte I

Desvendando a caixa de ferramentas do escritor


por Léo Silva

É possível aprender a escrever ou melhorar a própria escrita, mas, para isso, às vezes precisamos de uma “forcinha”.



A dica de leitura para quem quer aprender a escrever é “Sobre a escrita”, de Stephen King. No livro o autor best-seller ensina aqueles que anseiam se tornar escritores preciosas dicas – desde a escrita do livro em si até na hora de tentar publicar. King começa narrando suas memórias e termina o livro com sua lista de leituras – que inclui os três primeiros livros da série Harry Potter, por exemplo.

O que mais gostei neste livro é a forma descontraída com a qual ele foi escrito, sem se tornar maçante como muitos manuais de escrita que encontramos por aí. Apesar de não concordar com tudo o que o autor colocou no livro, tenho de reconhecer que a fórmula (se é que existe uma) tem elementos universais que servem a todos: melhore a gramática (em outras palavras, conheça sua língua materna), evite advérbios e edite cortando 10% do texto seis semanas após terminar o livro, pois se fizermos a edição antes disso corremos o risco de nos pouparmos dos cortes mais severos.

Uma verdadeira aula de escrita.

Sempre à disposição,


Observatório Clube de Autores

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

“Escrevo somente para mim” – As mentiras que contamos para nós mesmos

Quem disse que devo escrever somente para mim?

Coletiva Observatório Clube de Autores



Quando começamos a escrever costumamos inventar coisas como, por exemplo, que escrevemos tão somente por escrever, por puro prazer, para nós mesmos e, se um dia publicarmos, quem sabe, então será por pura sorte. Entende-se, neste caso, a escrita como fim em si mesma, sem outro objetivo que não nos entreter. Apesar de concordar que o ato de escrever deve ser espontâneo, prazeroso, subjetivo e individual, não posso imaginar um texto que só sirva para mim, que não objetive alcançar outras pessoas, que não ultrapasse a barreira de mim mesmo e mesmo assim seja publicado. Enfim, considerando que, em primeiro plano, escrevo para mim, em segundo escrevo para meu leitor, ou correria o risco de ser infiel comigo mesmo ao oferecer algo que jamais alcançará o outro.
Esse negócio de que escrevo somente para mim é besteira repetida como se fosse regra, e não exceção – certamente escrevemos algumas coisas somente para nós, mas tais coisas não devem ser publicadas.
Vejamos algumas questões, para começo de conversa:

1 – Não é possível agradar a todo mundo. Nem Jesus conseguiu, imagine um escritor.

2 – Mesmo sem tentar agradar a todos, obviamente espero agradar alguém (ou então para que escrevo?). Se ninguém gostar do meu livro, se ninguém se identificar com ele, quem o comprará? Quem comprará o próximo livro? Aqui cabe uma observação: tem gente que acha que uma fama ruim é melhor do que nenhuma.

3 – Escrever somente para si é como conversar consigo mesmo, sem nunca dizer uma palavra para ninguém (é inútil, chato e ridículo).

4 – Se escrevo somente para mim corro o risco de dizer somente o que quero ouvir, o que inviabiliza o diálogo.

5 – Ninguém gosta de crítica, muito menos escritores. Mas a crítica serve para nos colocar alguns limites, sem os quais terminaremos por escrever para as paredes.

6 – Finalmente, escrever para si mesmo é diferente de limitar-se. Posso escrever para mim porque assim serei mais verdadeiro, mas, o mais importante, É ESCREVER SOBRE O QUE EU GOSTO. Ou seja, não é o outro que diz sobre o que devo escrever, mas ele é parte da engrenagem.

Se escrevo somente para mim, para que publicar então? E se publico é porque espero que alguém goste do que eu escrevo, ou não publicaria. Escrever somente para mim é, ao mesmo tempo, colocar-me em primeiro, segundo, terceiro e todos os próximos lugares que porventura venham. Quando escrevo penso que alguém irá gostar, por isso escrevo – ou seja, eu crio meu leitor, embora não possa prever sua relação com meu livro. Não acredito, porém, que eu deva estar à mercê do outro. Eu sou o primeiro a gostar da minha história (se não, por que a escreveria?). Eu sei o que é melhor e o que é certo para a história que procuro contar, mas, se não pensar logicamente em meu leitor, nem uma única vez, como posso conquistá-lo? Tudo é ao deus dará? A escrita é espontânea a ponto de desconsiderar a inteligência de quem lê? De ignorá-lo? Afinal, se escrevo para mim, então POR QUE OUTROS LERÃO O QUE ESCREVO?

A resposta para todas as perguntas é não. Obviamente não. Se a escrita é minha, parte de mim deve manter uma ligação comigo, para ser original e viva eu preciso ser sincero comigo mesmo – mas isso não significa que eu precise romper com o mundo e com todos para escrever. Livros são editados, são revisados, são reescritos. Uma opinião de um colega, uma correção, enfim, considerar o outro enquanto escrevo também faz parte do processo criativo (workshops e cursos não servem para nada então?). Ainda mais se quisermos alcançar o mercado, aí o outro é mais importante ainda. Afinal, quem compra meus livros? Meus leitores. Então, obviamente, minha escrita não é tão neutra assim, pois ela precisa do outro, e eu preciso do dinheiro de quem adquire um livro meu.
Por tudo isso existem técnicas de escrita, padrões, modus operandi literário, se me permitem uma adaptação do termo. Essa história de que só eu importo é a maior mentira de todo o universo literário, e que fazemos o desserviço de manter em nós mesmos. Eu posso, sim, sonhar em ser um autor reconhecido, em escrever best-sellers, em ser lido e amado. Posso gostar de críticas positivas, e chorar com as negativas. Posso me reinventar, assim como posso reinventar a escrita. Eu posso, eu quero e eu devo ser um escritor ambicioso.  Não é pecado.

Sei que o tema parece complexo, mas na verdade é muito simples: conte a história que você gostaria de ouvir, e então será sincero e encherá páginas e páginas – você em primeiro lugar, mas sem esquecer seu leitor. Não quero nem tenho o poder de agradar a todos, mas quero, sim, receber críticas positivas, quero que gostem do meu livro, afinal, por que o escreveria se não fosse assim? Parece que é errado desejar ser um grande escritor, vender muitos livros e assinar um contrato de seis dígitos. O que cria um paradoxo, pois nunca se viveu um tempo tão capitalista como o nosso. Acredito que essa história de que “escrevo para mim mesmo” é uma forma de as pessoas se protegerem de críticas negativas, um estratagema que as protege dos outros. “Se eu der certo no mercado, ótimo, valeu a pena. Se não der, é porque eu nunca tentei mesmo (uma vez que escrevia para mim).” Escritor iniciante (e alguns pseudo-intelectuais também) são raposas olhando uvas: desdenham porque não podem obtê-las.

Eu não escrevo somente para mim. Quero que meu leitor sinta a emoção que sinto, que chore, que vibre e que se encante como eu me encantei ao escrever. Quero que a história que eu escrevo tenha um significado (não é apenas desabafar, passar o tempo, matar árvores à toa). Se fosse somente para mim eu preferiria pensar em detrimento de escrever, economizando tempo, energia e papel. Mas sei que não é. A partir do momento em que a palavra é lançada, cria-se uma dependência mútua, quase um pacto entre escritor e leitor: não vou enganá-lo com páginas e páginas de mentiras, ou você me abandonará ao final e nunca mais voltará (quem compra um segundo livro de um escritor que errou no primeiro?). Ninguém. Agora, se o objetivo é somente escrever, sem se preocupar se alguém lê ou não, então a história é outra. Mas cuidado. Desabafos são chatos, ninguém quer lê-los, assim como ninguém quer ser criticado (embora finjamos concordar que as críticas não nos fazem mal).
Então, antes de repetir frases feitas como um papagaio de pirata, pare e pense um pouco. Reflita. Questione. Quem escreve uma música quer ser um compositor reconhecido. Quem pinta um quadro também quer reconhecimento. Eu escrevo para galgar o difícil caminho da publicação no Brasil, pois acredito no valor do meu trabalho e no meu talento.

E você, para que escreve?

Sempre à disposição,

Observatório Clube de Autores

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Concursos 2015

Concursos Literários 2015

por  Observatório Clube de Autores


Olá queridos leitores,
Se queremos mostrar nosso trabalho precisamos cacarejar! Vamos lá, 2015 começou e com ele muitos concursos para mostrarmos nosso talento!
Coragem! O Observatório Clube de Autores está aqui para ajudá-los, mas é preciso dar o primeiro passo e continuar a andar.

Sempre à disposição,

Observatório Clube de Autores

Quinto concurso Agostinho de Cultura – 2014 (Prosa e poesia)
Inscrições: De 25/07/2014 até 31/07/2015.
Exigências: Registro de Direito Autoral/EDA (Escritório de Direito Autoral), que pode ser obtido no site da Biblioteca Nacional (http://www.bn.br/search/node/EDA ) ; A obra deve ser inédita (nunca antes publicada por qualquer meio). Além disso, serão aceitos os gêneros poesia e prosa para diferentes faixas etárias.

V Prêmio Literário Portal Amigos do Livro 2015 (Poesia)
Inscrições: Até 31 de maio de 2015
Exigências: Cada autor pode concorrer com apenas uma poesia inédita; A inscrição é gratuita.

III CONCURSO DE POESIA “NARCISO ARAÚJO” (Poesias)
Inscrições: De 12 de novembro de 2014 a 30 de março de 2015
Exigências: Apenas um poema inédito por escritor.

3º CONCURSO LITERÁRIO BIG TIME EDITORA – EDIÇÃO 2015 CATEGORIA ROMANCE
Inscrições: De 05 de janeiro de 2015 até 28 de fevereiro de 2015.
Exigências: Não são aceitos textos infantis; O livro não precisa ser inédito, embora não poderá ter sido publicado por alguma grande editora anteriormente.

XIII Concurso “Fritz Teixeira de Salles de Poesia” (Poesia)
Inscrições: De 01 dezembro de 2014 até 31 de janeiro de 2015.
Exigências: Cada autor pode concorrer com até dois poemas inéditos.

11° Prêmio Barco a Vapor (Romance, novela e narrativa curta)
Inscrições: 1º de outubro de 2014 a 31 de janeiro de 2015
Exigências: Obra inédita.
Premiação: R$ 40.000,00 e contrato.



Opinião

Contra o que estamos lutando?

por Léo Silva

Fiquei extremamente assustado quando fui conferir os preços dos meus livros esta semana – todos, sem exceções, custam ao redor de R$30 reais, mesmo o menorzinho deles, que antes custava R$20. Comecei a pensar no preço que pagamos por autopublicar, e contra o que temos de lutar.
E concluí que a luta é grande.



Primeiro, vivemos em um país onde meio milhão de pessoas tirou nota zero no ENEM, onde o BBB bate recordes de audiência e, o pior de tudo, onde artistas são eleitos para representar nosso país na política sem ter a mínima noção de como isso deveria ser feito. A imagem de lugar idílico, onde “tudo o que se planta dá”, de paraíso tropical, de libertinagem, parece ainda falar mais alto. Nossa fama nos precede, nesse caso no pior dos sentidos. Lutamos, em primeiro lugar, para ser vistos, deixarmos a invisibilidade e conquistarmos leitores.

Segundo, é difícil escrever e mais difícil ainda é viver de escrita. O mercado nacional de livros só se movimenta para aqueles que já têm nome ou que conseguem, à custa de muita autopromoção e propaganda (nem sempre verdadeira), romper a barreira mercadológica da escrita contemporânea. Lutamos, em segundo lugar, contra a perversidade da venda de espaço. Contra a marginalização. Escrever deveria ser a parte mais difícil, mas não é - quando percebemos a dificuldade de publicar concluímos que é a mais fácil. Dizem que fazem um favor ao publicar nosso livro, quando deveria ser o contrário – não deveríamos pagar para escrever, mas ser pagos. É uma profissão. É como se dissessem a um pintor que ele deveria pagar para as pessoas exporem seus quadros em suas casas. Falando em escrever, obter um ISBN custa caro demais no Brasil. Li em algum lugar que no Canadá é possível aos escritores obtê-lo gratuitamente (!). Li também que quem quiser comprar um lote grande de ISBN (isso nos Estados Unidos) consegue ótimos preços. Aí eu fico pensando com meus botões: por que tudo é caro e difícil por aqui? Escrever, revisar, corrigir, comprar ISBN, registrar na Biblioteca Nacional, correr atrás da publicação, divulgar, vender. Parece uma linha reta, mas não é.

Terceiro, a autopublicação é uma ilusão. Recorremos a ela mesmo sabendo que, provavelmente, não surtirá efeitos positivos que superem os negativos. Na verdade as editoras que oferecem tal serviço não passam de gráficas que cobram caro para imprimir livros de qualidade mediana para ruim a altos custos. Em terceiro, lutamos por visibilidade e por equidade. Fui conferir o preço de um livro e descobri que ele raramente (na verdade ainda não vi nenhum dos meus) ficará abaixo dos R$20 reais, mesmo com uma redução drástica de páginas – o sistema segura um valor mínimo, que até compreendo ser necessário para custear a produção, mas precisava ser tão caro? Fui conferir no outro site de autopublicação e percebi que um livro que custa R$30 no Clube de Autores (Um universo a mais) sai por R$40 lá. É muito caro. É preço de best-seller internacional. Não vende. São livros que ninguém lê. O preço dos e-books até que está bom, pois raramente passam de R$10, e eu vendi alguns. Mas eles também vendem pouco, pois ainda parece haver uma espécie de fetichismo pelo livro impresso, e nem todos gostam de livros digitais. De qualquer forma, pelo menos as pessoas estão lendo.

Quarto, manter a motivação. Sempre escrevi sem me importar se um dia seria lido ou não, mas chega um momento em que o autor percebe que seus esforços não o estão levando a lugar algum. Eu quero se lido, por isso escrevo. Manter a motivação quando tudo parece ser mais importante é complicado. Escrever quando é preciso trabalhar, cuidar da família, pagar infinitas contas parece supérfluo. Escrever exige dedicação, concentração, inspiração e trabalho duro. Publicar é caro. Alguns novos autores são tão desmotivados que fica difícil falar sobre motivação. A história de outros autores parece não servir para eles, e o circuito nacional acaba abarrotado de obras internacionais – nomes conhecidos, sucesso de vendas, enfim, é mais fácil publicar quem automaticamente vende tudo o que escreve do que investir no novo. Não devemos trocar o certo pelo duvidoso. Em quarto, lutamos contra a estagnação, o cansaço e contra aquela voz que diz lá no fundo do nosso ouvido que não acontecerá conosco, que jamais chegaremos lá.

Quinto, lutar contra nós mesmos. Lutar contra a falta de condições, contra o medo e a crítica. Lutamos contra o outro, que diz que nosso livro é ruim, está cheio de falhas (estes nos tornam fortes quando sabem como dizer isso). Lutamos também contra quem diz que a história é perfeita (estes nos enganam, não nos preparam para o mundo). Uma palavra pode nos construir ou destruir. Precisamos de incentivo, na mesma medida em que precisamos de sinceridade. Lutamos contra a crença de que ainda não está bom, de que o próximo será melhor. Eu mesmo já fiz propaganda contra mim, dizendo que acho meus livros caros demais – por que realmente são caros. Queria que custassem no máximo R$20 e que todos que querem pudessem lê-los. Ano passado fui a um Café Literário a convite de uma amiga, e foi maravilhoso. Mas não pude levar exemplares para vender, pois a grana estava curta, e eu tenho medo de comprar livros e não conseguir vendê-los. Lutamos contra o medo também. Contra o comodismo, as circunstâncias e as limitações. 

Enfim, escrever é uma luta diária. Mas tem seus louros. Dias desses recebi uma crítica extremamente positiva de uma leitora que não conhecia até então. É ótimo receber elogios de estranhos, pois certamente são sinceros (por que um estranho perderia a chance de me detonar se achasse que deveria?). Suas palavras me deixaram nas nuvens, disse que eu a emocionei, e esse é um dos meus desejos – emocionar pessoas. Acredito, então, que parte do meu dever está cumprida.
Agora, de volta à luta.

Sempre à disposição,

Léo Silva, em especial para o Observatório Clube de Autores

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

“I read, you read” – Um modelo para novos autores

Eu leio, você lê
Coletiva – observatorioclubedeautores@gmail.com


Quando se escreve um livro, qual a primeira coisa que vem à cabeça? Vender milhares de exemplares pode ser uma delas. Torna-se um escritor conhecido, outra. Uma possível adaptação para o cinema, outra opção. E quando nada acontece?

Bem, se nada acontece talvez seja hora de um plano B. E o modelo “I read, you read” pode ser tal plano.

         É bem simples. Esqueça a venda de exemplares (pelo menos no começo) e preocupe-se com pessoas interessadas na leitura do seu livro. Você, autor, deve ser o responsável por divulgá-lo, pois não há outra forma para que seu trabalho seja conhecido. Uma forma de se trabalhar é publicando no Bookess (http://www.bookess.com/ ), onde é possível oferecer o e-book do seu livro gratuitamente, pura cortesia. O e-book é idêntico ao livro original, e o leitor pode comprar a versão impressa caso seu interesse pelo livro se mantenha. Ganha o leitor (por não gastar dinheiro com algo que não lerá) e ganha o autor (pois o leitor pode ler vários livros de uma mesma pessoa).

                Cortesia pode ser o primeiro passo para o sucesso.

Resumindo, o processo constitui o que se chama de shared reading (leitura compartilhada). É simples: você lê o livro de outra pessoa, e a outra lê o seu ou, talvez de uma forma que exige mais confiança, você compra o livro (em sua versão mais barata, e-book) de uma pessoa e ela compra o seu. Isso garante não apenas a venda de alguns livros, mas a construção de uma rede de confiança de leitura. Se o outro gostar do seu livro, comprará os próximos. Se não gostar, você perderá muito pouco, ou, no caso de trocas de cortesia, não perderá nada.

Em um mercado como o nosso, onde a auto-publicação não é um bom investimento (mas, no caso de novos autores, é o único meio possível), o número de tablets aumenta a cada dia e árvores não podem ser cortadas indiscriminadamente, vender e-books por baixos preços ou dá-los de presente é uma forma de auto-divulgação – que é algo indispensável para se vender livros.

Melhor ter vinte leitores que nada pagaram, mas gostaram do seu livro, do que nenhum. E, lembre-se, pior do que desistir no meio de uma caminhada é nem ter começado a caminhar.

Sempre à disposição,


Observatório Clube de Autores

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Formatação de livros

Como deixar seu livro mais agradável de ler

por Leandro de Oliveira Silva - leo_silva180@hotmail.com

Seu livro pronto em 10 passos

1) Elimine o excesso de espaços do seu texto clicando CTRL + U. Na janela que abrir haverá dois campos “substituir”: no primeiro clique duas vezes a barra de espaço e no segundo apenas uma vez na barra de espaço. Clique em substituir tudo.

2) A primeira página após a capa deve conter apenas o título do livro (chamada de falso espelho). Após escrevê-lo clique em “inserir quebra de página”.

3) A próxima página (que será o verso do falso espelho) deve ficar em branco. A página seguinte deve conter o nome do autor, o título da obra, edição e ano (chamada espelho). Insira mais uma quebra de página.

4) A próxima página (página 4) é o verso do espelho. Deve conter os dados do livro.

5) É considerado elegante começar o texto do livro por uma página de número ímpar.

6) Aperte CTRL + T para selecionar todo o texto. Escolha “formatar parágrafo”: entre linhas = simples; espaçamento = zero pontos antes e depois; especial = clique em primeira linha e escolha 0,7 cm; justifique seu texto; salve tudo.

7) Entre em “ferramentas – idiomas – hifenização” e escolha hifenizar o documento automaticamente.

8) Escolha “formatar página”: margens 2 cm. Escolha normal ou margem espelho.

9) Escolha fontes mais simples, como a Book Antiqua 11 ou Garamond 11.


10) Converta seu livro em PDF no site ( http://www.freepdfconvert.com/ )e está pronto para comercializá-lo no Clube de Autores ou outros sites de autopublicação.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Feliz Dia das Bruxas!!!



Em comemoração ao Dia das Bruxas Léo Silva lança o livro Passos na escuridão . Neste livro o passado de Eddie T. Cash (prisioneiro de Sob o céu de outono) é completamente revelado, mostrando o que o levou a se tornar um homem perigoso e disposto a tudo para prejudicar os outros. Com passagens bem construídas, o autor mantém o romance num ritmo irresistível:
"Eddie acordava do coma que tivera logo após os primeiros exames médicos, e acreditou ver coisas. Primeiro, árvores, como se ainda estivesse naquela maldita floresta, sendo caçado por bestas selvagens em formas humanas. Ele quase podia sentir os galhos atingindo seu rosto, ferindo-lhe a face, à medida em que tentava escapar. Depois uma campina, com grama baixa e a luz do sol. Então, ele. O garoto cinzento. Ele parecia ainda mais cinza sob a luz do dia. O garoto estava parado, e mantinha o dedo indicador erguido na frente dos lábios cerrados, como aquelas fotos de enfermeiras que aparecem nos corredores de praticamente todos os hospitais. Eddie não entendeu de imediato o que se passava ali. Para ele era apenas um menino, e o fato de ele ser cinza deveria ser coisa da sua cabeça.
         Um menino cinza pedia que ele ficasse em silêncio. Como um fantasma em seu quarto."
*** 
"Qualquer coisa que dissesse seria apenas uma parte de tudo o que sentia, de tudo o que gostaria de dizer. Seria a parte menos verdadeira e menos cruel de todas, pois o que ele realmente sentira naquela floresta, tanto quando era caçado por pessoas insanas quanto no momento em que seu corpo fora por elas violado, isso não poderia ser dito. Jamais. Só Eddie sabia o que se passava dentro dele. Era como se houvesse uma bomba-relógio dentro de seu peito, num tique-taque constante e doentio, e de uma hora para outra ele fosse explodir. Sentia que o tempo estava acabando, e não havia muito o que fazer para mudar isso."

Leia "Passos na escuridão". 

Observatório Clube de Autores,

Sempre à disposição.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Clube de Autores com cara nova

por Léo Silva - leo_silva180@hotmail.com

Repararam como o Clube de Autores mudou de layout? O site está mais bonito, organizado e com um visual mais moderno. Também estava na hora, não é? Depois de ver as mudanças até deu vontade de escrever algo novo, ou renovar os livros antigos... E foi exatamente o que fiz. Livros revisados, com capas novas e edição 2013. 


Inspirador, não?

Espero que as mudanças impulsionem as vendas também...

Observatório Clube de Autores

sábado, 5 de outubro de 2013

"Passos na Escuridão" - Um retorno ao passado do vilão Eddie
por Cristiane Salles - cristianesallesesilva@gmail.com


Em seu novo livro, a ser lançado dia 31 de outubro de 2013, somente em e-book, L. S. Hoffman fala de um tema recorrente da literatura - a vingança - utilizando-se, para isso, do personagem Eddie. T. Cash, do livro "A última estação" e revelando seu passado obscuro

Booktrailer de Passos na Escuridão:

http://www.youtube.com/watch?v=6d2HkfrB4oM


Observatório - De onde veio a ideia de escrever Passos na Escuridão?
Hoffman - Olá leitores do blog, olá amigos escritores. A ideia de Passos na Escuridão é antiga, tão antiga quanto meu primeiro romance de terror lido - O iluminado, de Stephen King. Fiquei simplesmente encantado com a forma como o mestre do terror me assustava. Não que eu queira ou possa me comparar à ele, mas de certa forma a ideia surgiu aí. 

Observatório - É um romance de terror?
Hoffman - Está mais para suspense, mistério. 

Observatório - Poderia resumir o livro para que tenhamos uma ideia do que nos espera?
Hoffman - Claro. Eddie T. Cash retorna à pequena cidade de Watkins Glen em busca de vingança. Atormentado por lembranças do passado e guiado por um ser conhecido com Homem de Cinza, ele pretende destruir as vidas de todos aqueles que o fizeram sofrer no passado. O livro narra esse momento da vida de Eddie. 


Observatório - Esse livro foi inspirado pela obra de Stephen King. Como é sua relação com a literatura americana?
Hoffman - Sou um grande fã do mestre do terror e do suspense, e isso me motivou a escrever Passos na Escuridão. Adoro a literatura americana, e é por isso que meus livros sempre se passam nos Estados Unidos. Sei que é uma espécie de erro escrever sobre um lugar que, a princípio, não conheço. Mas descobri que, independente de qual fosse o cenário das minhas histórias, ele seria por mim desconhecido, pois moro no interior do Estado. Assim, dos males o menor.

Observatório - Por que resolveu mudar seu gênero de escrita?
Hoffman - Na verdade não houve mudança, apenas experimentei um estilo diferente do qual estou acostumado a escrever - o qual me rendeu boas críticas, inclusive. Aprendi a escrever sobre pessoas, sobre a vida e a morte, e as coisas que acontecem depois que se nasce e antes que se morra. É um livro que fala sobre como as famílias enfrentam as dificuldades da vida.

Observatório - Por que utilizar um personagem de outro livro?
Hoffman - Porque sempre quis saber o que levou Eddie à prisão e a ser uma pessoa tão ruim. Ninguém nasce assim - as pessoas ficam assim. No caso de Eddie foi um trauma de infância, que o levou a conhecer uma entidade maligna e controladora - O Homem de Cinza, um ser que ninguém sabe de onde veio, nem exatamente o que deseja. 

Observatório - Você acredita no mal?
Hoffman - Mais ou menos. Acredito que as pessoas podem fazer o mal ou o bem, e que tudo possui dois lados. Até para a ação existe uma reação, não é verdade? Para o bem, logicamente, existe o mal em igual proporção. Trata-se de equilíbrio.

Observatório - Sua mensagem final.
Hoffman - Agradeço à concessão de espaço e desejo a todos boas leituras e até uma próxima vez.

Observatório Clube de Autores,

Sempre à disposição.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

4o Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea

por Leo Silva - leo_silva180@hotmail.com


Está aberta a 4a Edição do Prêmio Clube de Autores de Literatura Contemporânea. É uma bela oportunidade de mostrar seu trabalho, jovem escritor. O que está esperando? Vamos lá, inscreva seu livro, divulgue para os conhecidos e boa sorte!!!


Sempre à disposição - Observatório Clube de Autores

terça-feira, 16 de julho de 2013

Temas, transas e caretas - Definindo temas clichês e fugindo deles

Tópicos em escrita criativa
por Cristiane Salles - cristianesallesesilva@gmail.com

Ser mãe, mulher, dona-de-casa, profissional liberal, escritora e blogueira... Parece difícil? É porque é difícil. Imagine juntar tudo isso ao sonho de encontrar um príncipe encantado, ter um filho nerd e uma mãe do tipo moderninha-maluca, um ex-marido que não para de atormentá-la e por aí vai... Eu praticamente juntei todos os maiores clichês dos livros contemporâneos num único parágrafo. Clichês devem ser evitados? Ou bem utilizados? Acho que ambas as coisas. Afinal, escrever é criar algo novo a partir de uma coisa que, aparentemente, não tinha nada de novo a oferecer.

Acredito, na superficialidade de meu saber, que clichês devam ser evitados se forem, pura e unicamente, constituídos por elementos que remetam ao próprio clichê. A partir do momento em que eu, enquanto escritora, consigo inserir novos elementos no meu texto, conduzindo o leitor de forma a não entediá-lo, ao mesmo tempo em que me mantenho fiel ao que propus, acredito que seja possível usar - e usar bem - um bom clichê. Vejam bem, é praticamente impossível escrever algo completamente original e esperar que as pessoas engulam com facilidade. Falar da Segunda Guerra Mundial se tornou um clichê, mas em A menina que roubava livros Marcos Suzak faz isso de forma completamente inovadora e envolvente. Comédias românticas são clássicos dos clichês, não é verdade? Então por que vendem tanto? Por que é o que as pessoas querem ler, querem saber o final do livro a partir do gênero que escolheram. Sem falar dos novos livros infanto-juvenis a partir de Harry Potter, que agora obrigatoriamente devem ser protagonizados por trios de jovens de no máximo quinze anos com problemas familiares, distúrbios que os afastam dos outros garotos e garotas da mesma idade, mas que no final descobrem serem os escolhidos para salvar o mundo do mal eminente. A indústria literária mercantil exige clichês bem usados, que são os que as pessoas querem ler - ou infelizmente se acostumaram a ler.
Graças a Deus que eu não sirvo a essa indústria inescrupulosa, você poderia me dizer. Concordo e dou todo o apoio a você, mas deixe-me explicar melhor: o oposto também vende (os livros que ganham concursos literários no nosso país geralmente são muito diferentes do que descrevi lá em cima, e os que vendem mais raramente ganham esses concursos), e tudo depende do que você deseja para si mesmo. Eu desejo vender muito, ganhar muito dinheiro e ter novas inspirações numa praia do Caribe, com um coquetel numa das mãos e um belo par de óculos de sol de mil dólares sobre meus olhos (outro clichê). Mas esse assunto fica para um próximo post - SOBRE O QUE ESCREVER?
Quando nosso leitor pega uma comédia romântica para ler ele deseja que o casal fique junto no final (se um dos dois morrer vai se tornar drama); quando um adolescente lê um livro de aventura ele deseja que o protagonista tenha amigos tão problemáticos como ele; quando alguém lê o Cinquenta tons de cinza, de E. L. James, bem, eu não sei o que essa pessoa quer, só sei que tem vários livros por aí copiando ele, assim como aconteceu logo após o megassucesso de Stepnenie Meyer, a tão detestada quanto amada série Crepúsculo - depois dele parece que todo livro para garotas adolescentes precisa de um triângulo amoroso sobrenatural (e toda mocinha tem de ser meio retardada). É o mal dos nossos jovens leitores contemporâneos.
Realmente alguns clichês devem ser evitados. Tenho de dar o braço a torcer.

Até a próxima,


Cristiane Salles em especial de férias para o Observatório Clube de Autores

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Concursos literários 2013


por Leo Silva - leo_silva180@hotmail.com

Escrevemos, escrevemos, escrevemos... Depois ficamos reclamando que não somos reconhecidos, que não conseguimos deslanchar na carreira de escritor, enfim, que nada acontece. Hoje, segunda-feira, é dia de dar um passo na direção do sucesso, afinal, como ser descoberto sem fazer um pouco de barulho? Por isso o Observatório Clube de Autores selecionou algumas oportunidade para jovens escritores. Vamos lá, dê uma chance a si mesmo e participe dos concursos!

Prêmio Paraná de Literatura - Até 31 de julho de 2013 - Obras inéditas
Romance, Poesia e Conto - R$ 40.000,00 para cada categoria
Link: http://www.bpp.pr.gov.br/arquivos/File/EDITALPREMIO2013.pdf

Prêmio Literário Livraria Asabeça 2013 - Até 31 de agosto de 2013 - Obras inéditas
Poesia - Livros impressos e participação nas vendas
Link: http://www.concursosliterarios.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=434&friurl=:-12o-Premio-Literario-Livraria-Asabeca-2013-:

Prêmio Literário Cidade Poesia 2013 - Até 31 de julho, por e-mail - Obra inédita
Poesia - R$2.000,00 ; R$1.000,00 e R$500,00
Link: http://www.concursosliterarios.com.br/lermais_materias.php?cd_materias=442&friurl=:-III-Premio-Literario-Cidade-Poesia-2013-:

Prêmio São Paulo de Literatura - Até 29 de julho de 2013 - Obras inéditas ou não
Romance - R$ 200.000,00 ; R$100.000,00 e R$100.000,00.
Link: http://www.cultura.sp.gov.br/portal/site/SEC/menuitem.71b090bd301a70e06d006810ca60c1a0/?vgnextoid=9daf3063b740b110VgnVCM100000ac061c0aRCRD&idNoticia=b8f8cee3c651f310VgnVCM1000008936c80a____#.UePamdK1GSo

7 Prêmio UFF de Literatura - Até 2 de julho de 2013 - Obra inédita
Conto, crônica e poesia - Notebook

 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Observatório Entrevista

Lucyana Mutarelli, autora de "Poder Invisível", conversa com o Observatório e conta o que pensa da literatura brasileira e do mercado editorial

por Leandro de Oliveira Silva - leo_silva180@hotmail.com


Numa entrevista por e-mail, a autora Lucyana Mutarelli (Poder Invisível , O Enigma de uma Casa e O Despertar da Felicidade ) nos conta um pouco de sua vida de escritora e fala sobre seu último livro lançado pelo Clube de Autores, e que pode ser adquirido clicando no link. O Clube de Autores recomenda todos os livros de Lucyana, que revelou ser dotada de uma escrita cheia de magia e de energias positivas. Confira a entrevista.




1 - Observatório: Lucyana, definir a si mesmo pode ser um bom começo para se entender um pouco do "eu escritor". Diga-me: quem é Lucyana Mutarelli?


Sou uma pessoa extremamente observadora, reflexiva e filosófica. Uma questionadora por natureza. Gosto de pensar e analisar sobre tudo o que me cerca. Admiro a arte, a música, a escrita, a originalidade e a autonomia. Tenho muita criatividade e senso crítico, por isso, acabo me desviando de tudo o que é demasiadamente tradicional. Só sigo o que acredito ser verdadeiramente bom. 

2 - Observatório: Uma vez perguntaram ao Stephen King como ele escrevia, e ele respondeu: "Uma palavra de cada vez." Agora queremos saber: como você escreve, Lucyana?


Para escrever, utilizo tanto o meio externo quanto o interno. O externo é tudo o que está a minha volta como vivências, livros, textos, situações, aprendizados... E o interno representa meus pensamentos, reflexões, intuições, sentimentos, sonhos, visão de mundo... E assim, surgem meus livros.

3 - Observatório: Conte-nos de onde veio a inspiração para seu livro "Poder Invisível", atualmente disponível no Clube de Autores? Por que você quis contar essa história?


“Poder Invisível” surgiu inspirado em observações da vida e em dois livros: “O Poder do Subconsciente” do Dr. Joseph Murphy e “O Segredo” de Rhonda Byrne. Essas duas obras falam sobre o poder da mente que é capaz de atrair para nós o que queremos. A nossa cabeça funciona como um imã que puxa para nós situações relacionadas com o que pensamos, sentimos ou falamos. Por isso, devemos procurar sempre ter bons pensamentos e sentimentos. Sei que pode até parecer balela. Mas através de algumas experiências, pude perceber a funcionalidade disso tudo. Quem nunca pensou em uma música, ligou o rádio e ela estava tocando? Quem nunca pensou em uma determinada pessoa e, de repente, ela telefona ou a encontramos na rua? E quando pensamos num assunto, ligamos a TV e damos de cara com uma discussão a respeito? Isso é muito interessante!

4 - Observatório: Lucyana, como você enxerga a literatura brasileira hoje? E o mercado editorial?


A literatura brasileira, hoje em dia, é bem eclética. Tem para todos os gostos, todos os bolsos e, até mesmo, livros gratuitos para serem baixados. É possível ler até utilizando um celular. O que falta mesmo é o hábito da leitura fazer parte da vida dos brasileiros. Muita gente não lê. Ou por falta de tempo ou por considerar uma atividade enfadonha, o que não é verdade. Se uma pessoa considera a leitura desagradável, é porque não encontrou o livro certo para ela.

Quanto ao mercado editorial, acredito que a grande tendência é a autopublicação. Depender de uma editora para publicar um livro, é complicado. Muitas empresas cobram uma fortuna para o autor publicar sua própria obra. E outras não cobram, mas também não publicam (risos). Alegam que o original não está de acordo com o perfil editorial deles. Mesmo que o livro seja excelente.Outra vantagem da autopublicação é que nela não ocorre o desperdício (encalhe de livros). Somente são impressos os exemplares vendidos.

5 - Observatório: Quem é seu autor favorito? Sugere algum título aos nossos leitores?


Além de Rhonda Byrne, autora de “O Segredo” e Dr. Joseph Murph, autor de “O Poder do Subconsciente”, sugiro “A Cabana” de William P. Young e “Entre Anjos” de L.S. Hoffman. É uma história simplesmente surpreendente.

6 - Observatório: Que tipo de história atrai você para leitura? E para escrita? 


Tanto para a leitura como para a escrita, existem duas características que, a meu ver, são muito importantes para uma história. Uma delas é que proporcione entretenimento, ou seja, que prenda a atenção e que faça com que o leitor se envolva com a obra. A outra é que transmita algo de útil para a vida de quem está lendo. Se um livro proporciona entretenimento, ele é um livro bom. Se um livro transmite algo de útil para a vida do leitor, também é bom. Agora, se a obra tiver essas duas características juntas, então considero-a excelente!


7 - Observatório: Considerações finais da entrevistada:


Fiquei muito feliz pelo convite e gostei muito de participar da entrevista. Foi um prazer. Entrevistar autores é uma excelente iniciativa. Ajuda os leitores a entender um pouco mais sobre quem está por trás das obras que eles leem. Parabéns ao Observatório Clube de Autores! Sempre que precisarem, estarei a disposição.

Agradecemos imensamente à nossa querida entrevistada, Lucyana Mutarelli e aos nossos leitores e colaboradores. O Observatório Clube de Autores é um espaço gratuito de divulgação dos trabalhos dos novos escritores brasileiros. 

Sempre à disposição para críticas, elogios e sugestões,

Atenciosamente,

Leandro de Oliveira Silva

segunda-feira, 18 de março de 2013

Resultado Concurso Observatório Clube de Autores

Os Sorteios do 1 Concurso do Observatório foram realizados hoje, segunda-feira, 18 de março de 2013. 

Ganhadora do livro "Entre anjos", de autoria de L. S. Hoffman:  Luciana Mutarelli <rvjfc@ig.com.br>; 

Ganhadora do livro Enigmas do amor, de autoria de L. S. Hoffman: Raquel Nonato da Silva Lisboa <ranosilisboa@gmail.com>.

Cumprimentamos os ganhadores do sorteio, agradecemos e desejamos sorte a todos os participantes. Esperamos todos você nas próximas promoções e lançamentos. 
 
Documentado em vídeo, segue o link para conferência:


Sempre à disposição,

Observatório Clube de Autores

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Mulher de honra – Um livro escrito com o coração, para o coração



O retrato de uma época deliciosamente construído por Raquel Lisboa. Anterior à cultura pop que domina a escrita popular, porém com elementos lingüísticos requintados e ironias eloqüentes, Mulher de honra é uma história que flui como nenhum outro livro de estreia eu já tenha lido. É simples, porém envolvente; contido, e ao mesmo tempo ousado; denso, porém fluido. E o melhor, é real. Um romance de estreia com um toque de clássico, e com um gosto bem familiar. 

                                por Leo Siva - leo_silva180@hotmail.com 



Descrever o que sinto agora que terminei de ler o maravilhoso romance de estreia de Raquel Lisboa é impossível. Digo isso com a propriedade de que poucos livros foram por mim lidos num tempo tão curto (o período de um dia), e levando em conta a dificuldade de se ler algo na tela do computador (sou adepto inveterado dos livros impressos), deve-se dar o devido crédito à autora. Raquel tem um texto deslumbrante, que preenche as páginas de forma inteligente e divertida. Sua história é completamente original, e os caminhos que percorre ao tecê-la nos fazem sentir o desejo pela leitura, pelos personagens e por suas passagens interessantes. Ela capta o melhor do cotidiano, sem ser nem um pouco prolixa ou enjoativa. 

Os personagens do livro, e não vou me deter muito neles para não estragar as surpresas do futuro leitor, são verossímeis e interessantes. Jamais imaginaria para um romance meu um vilão tão malvado quando Fernando (e olha que meus romances estão sempre cheios de vilões), e me pego imaginando no quanto Helena sofrera nas mãos dele, e jamais aceitara seu destino sem pensar em uma forma de dobrá-lo. E dobrou. Numa parte muito bem construída do texto, Raquel escreve: “Somente a pequena Heleninha sorria inocentemente, pendurada no pescoço do pai, tentando alcançar o armário.” É um arquétipo consistente de como se colocar lado a lado inocência infantil e as decisões da vida adulta – pai e filha, morte e vida, alegria e felicidade. As passagens prosseguem brilhantemente: “se fosse homem com certeza teria um bom futuro.” Aqui se percebe todo o orgulho (e preconceito) de pessoas que tem consciência de suas limitações enquanto homens e mulheres, mas ao mesmo tempo prostram-se à suas criações. A mãe de Helena se sobrepõem ao pai em racionalidade ao acreditar que filha possa ser outra coisa na vida que não simplesmente uma mulher. “Sr. Oscar, recostado em seu carro de luxo, acompanhava a mudança do irmão com um olhar de desapontamento. Na verdade, queria que ele fosse expulso dali, pelo novo proprietário.” Aqui, percebe-se a sutileza com a qual Raquel caracteriza o personagem Oscar, de uma forma que é impossível não perceber o quanto ele é inescrupuloso e hipócrita. É um recurso literário presente em muitos autores contemporâneos (e marca registrada de grandes clássicos da literatura brasileira), uma tragédia maquiada com ironia. Enxugado, o texto passa a mensagem da forma mais clara possível. Por fim, uma frase de efeito, que merece destaque: “Era um não parecido com sim”. A tradução mais simples da confusão mental na qual a personagem mergulha. 

Raquel é contundente com a construção de seus personagens. Helena é forte e decidida; Cadu é um homem extremamente amável, que já sofreu mas felizmente reencontrou o amor; Fernando é um canalha obsessivo, chefe de quadrilha e uma pessoa capaz de tudo para conseguir o que quer. O cenário no qual a história se constrói abre espaço para histórias menores, como a morte de Juliana. A história de Ana, melhor amiga de Helena, tem praticamente o mesmo espaço da própria história de Helena, e é tão interessante quanto. Tudo parece se completar ao redor do eixo central, e os conflitos são fechados com maestria pela autora. Meu coração se encheu de tristeza quando um dos personagens partiu sem ter a chance de se despedir de quem mais amou. Não há explicação para o que acontece com a gente nestes momentos.

Obviamente, algumas passagens poderiam ser melhor exploradas, como o embate final, que é muito rápido e decepciona um pouco. De resto, descrições de cenários e alguns diálogos podem ser melhores. Não há mais o que dizer. Raquel Lisboa escreveu um romance de estreia que merece ser lido por todos os amantes de literatura contemporânea. É interessante, retrata a ditadura com fatos verossímeis e, acima de tudo, mostra a luta de uma mulher que teve sua vida destruída por um bandido. Como escreveu Tagore, “as palavras vão ao coração quando saem do coração”. 

Helena e Raquel são, verdadeiramente, mulheres de honra. 



Classificação indicativa: Livre para todas as idades - violência moderadamente descrita.



Estrelas ganhas: 5/5 (cinco estrelas de cinco estrelas)



Troféus: Originalidade/ Enredo/Personagens/Desenvolvimento.





Tipo de livro analisado: e-book






Especificidades: Baixar livro gratuito




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